21/11/2009 15h07
Na semana passada, a Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou que o mundo não ia acabar - pelo menos não em curto prazo.
No ano passado, o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), declarou a mesma coisa, o que se pode imaginar, seja uma boa notícia para aqueles dentre nós que costumam se assustar com qualquer coisa.
Quando é que duas instituições científicas desse grau de competência já haviam garantido à humanidade que tudo ficaria bem?
Por outro lado, a notícia é um tanto deprimente para aqueles que estavam planejando deixar de lado os pagamentos da prestação da casa própria para gastar tudo em uma última farra. Os pronunciamentos do Cern tinham por objetivo atenuar a preocupação quanto à possibilidade de que seu novo acelerador de partículas, o Large Hadron Collider (LHC), viesse a criar um buraco negro capaz de devorar o planeta.
Já os anúncios da Nasa, feitos em forma de uma série de posts em seu site e de um vídeo postado no YouTube, eram resposta à preocupação quanto à possibilidade de que o mundo acabe em 21 de dezembro de 2012, quando um ciclo de 5.125 anos conhecido como "Contagem Longa", no calendário maia, supostamente deve chegar ao fim.
Os rumores sobre o fim do mundo atingiram o ponto de fervura esta semana com o lançamento de '2012', novo filme de Roland Emmerich, que no passado já havia infligido previsões catastróficas ao planeta, em forma de ataque alienígena e era glacial, nos longas 'Independence Day' e 'O Dia Depois de Amanhã'.
Em seu novo trabalho, um alinhamento entre o Sol e o centro da galáxia, em 21 de dezembro de 2012, faz com que o Sol enlouqueça e cause ferozes tempestades em sua superfície, que lançam ao espaço partículas subatômicas difíceis de detectar conhecidas como neutrinos. De alguma forma, os neutrinos se transmutam em outras partículas, o que resulta em aquecimento do núcleo planetário da Terra.
A crosta terrestre perde sua estrutura e começa a enfraquecer e deslizar. Los Angeles desliza para dentro do oceano; o vulcão Yellowstone entra em erupção, o que recobre a América do Norte de cinzas negras. Maremotos gigantescos varrem o Himalaia, onde os governos do planeta haviam construído secretamente uma frota de navios que permitirão a 400 mil pessoas seletas sobreviver à calamidade.
Mas essa é apenas uma das versões de apocalipse em circulação. Em outras variações, um planeta chamado Nbiru colide com a Terra, ou o campo magnético de nosso planeta se inverte. Existem centenas de livros dedicados a 2012, bem como milhões de sites, a depender de que combinação entre '2012' e 'juízo final' você digite no Google.

E tudo isso é pura bobagem, dizem os astrônomos
"A maior parte do que é alegado quanto a 2012 depende de uma imensa credulidade, de sandices pseudocientíficas, de uma completa ignorância quanto à astronomia e de um nível de paranoia digno de um filme sobre zumbis", escreveu Ed Krupp, diretor do Observatório Griffith, em Los Angeles e especialista em astronomia do passado, em artigo para a edição de novembro da revista Sky & Telescope.
Em termos pessoais, as histórias sobre o fim do mundo me apaixonam desde que comecei a consumir ficção científica, em meio a uma infância de desajuste. Apavorar o público vem sendo a principal ferramenta desse segmento desde que Orson Welles transformou "A Guerra dos Mundos" em um programa de rádio que narrava uma falsa invasão marciana a Nova Jersey, em 1938.
Mas a tendência passou dos limites, sugeriu David Morrison, astrônomo do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, em Moffett Field, Califórnia, o responsável pelo vídeo que a organização veiculou no YouTube e principal representante da organização quanto às profecias apocalípticas dos maias. "Fico zangado com a maneira pela qual as pessoas estão sendo manipuladas e submetidas a medos, com o objetivo único de propiciar lucros a terceiros", disse Morrison. "Não existe direito ético a assustar crianças a fim de gerar lucro".
Morrison diz que tem recebido em média 20 cartas e mensagens de e-mail diárias, algumas de lugares distantes como a Índia, enviadas por interlocutores apavorados. Em uma mensagem de e-mail, ele me enviou uma amostra que incluía um e-mail de uma mulher que imaginava se o melhor não seria se matar, bem como à sua filha e seu bebê ainda não nascido. Outra pessoa perguntava se não seria melhor sacrificar já o seu cachorro, para evitar que o animal viesse a sofrer em 2012.
Tudo isso me lembrou das cartas que recebi no ano passado sobre o suposto buraco negro do Cern, outro problema que existia mais como ficção científica do que como fato científico. No entanto, aparentemente não existe nada tão capaz de tornar a morte presente quanto os abstratos reinos da física e da astronomia. Em situações como essas, quando a Terra ou o universo estão tentando descartar a pessoa e seus entes queridos deste plano mortal, questões cósmicas claramente se tornam pessoais.
Morrison diz que não atribui a culpa por isso ao filme, e sim aos muitos outros vulgarizadores da predição maia, bem como à aparente incapacidade de muita gente para distinguir realidade de ficção "tendência bastante perceptível em diversas outras áreas de nossa vida nacional. Ele ressalva, quanto a isso que "meu doutorado é em astronomia, não psicologia".
Em uma troca de e-mails, Krupp afirmou que "estamos sempre incertos quanto ao futuro e sempre consumimos representações dele. Sempre nos deixamos atrair pelo romance do passado distante e pela escala exótica do cosmos. Quando as duas coisas se combinam, ficamos hipnotizados".
Um porta-voz da Nasa, Dwayne Brown, afirmou que a agência não comenta sobre filmes, e que isso é tarefa para críticos de cinema. Mas quando o assunto é ciência, disse Brown, "consideramos que seria prudente oferecer uma base de recursos".
Se você deseja se preocupar, afirmam os cientistas, deveria pensar sobre a mudança no clima mundial, asteróides em trajetórias imprevisíveis ou guerra nuclear. Mas caso seu interesse seja a especulação sobre passadas profecias, eis alguns fatos que Morrison e outros estudiosos acreditam você deva conhecer.
Para começar, concordam os astrônomos, não existe nada de especial em um alinhamento celeste entre o Sol e o centro da galáxia. Isso acontece a cada mês de dezembro, e as consequências físicas não vão além do consumo excessivo de perus de Natal. E, de qualquer forma, o Sol e o centro galáctico não coincidirão exatamente nem mesmo em 2012.
Se existisse outro planeta em rota de colisão com o nosso, todo mundo já o teria avistado, a essa altura. E quanto às ferozes tempestades solares, o próximo ponto máximo de atividade solar não acontecerá antes de 2013, e mesmo assim não será muito intenso, de acordo com os astrônomos.
O apocalipse geológico é uma aposta mais plausível. Já aconteceram grandes terremotos na Califórnia, e é provável que voltem a acontecer. Esses abalos poderiam destruir Los Angeles, tal como o filme mostra, e Yellowstone poderia entrar em erupção mais uma vez, e com força cataclísmica, mais cedo ou mais tarde. Os seres humanos e aquilo que constroem são de fato ocupantes temporários e frágeis do planeta. Mas, no caso em questão, "mais cedo ou mais tarde" quer dizer um prazo de centenas de anos, e haveria alertas consideráveis antes do evento.
Os maias, cuja astronomia e capacidade de medição do tempo eram avançadas o suficiente para permitir que previssem a posição do planeta Vênus 500 anos no futuro, mereciam tratamento melhor.
O tempo maia era cíclico, e especialistas como Krupp e Anthony Aveni, astrônomo e antropólogo da Universidade Colgate, dizem não haver provas de que os maias imaginassem que algo de especial aconteceria quando o hodômetro zerasse de novo em 2012, depois da Contagem Longa.
Existem referências, nas inscrições maias, a datas tanto anteriores quanto posteriores à atual Contagem Longa, eles afirmam, da mesma maneira que o seu próximo aniversário e o dia 15 de abril ficam depois do dia de Ano-Novo, no calendário do ano que vem. Por isso, é melhor manter em dia o pagamento das prestações da casa própria.
2012 é um filme de catástrofe de 2009 dirigido por Roland Emmerich e protagonizado por John Cusack. O roteiro foi escrito por Roland Emerich e Harald Kloser. O filme fala sobre o possível fim do mundo em 2012.
Enredo:
O filme é baseado na possibilidade de fim do mundo no ano de 2012, por ser o último ano do calendário maia. O filme começa em 2009, onde um cientista chamado Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) está com seu amigo na Índia e descobre que grandes eventos catastróficos estão para acontecer, devido uma enorme explosão no Sol.
Uma organização chamada IHC (Institute for Human Continuity - Instituto da Continuidade Humana) percebe a situação e começa a salvar os maiores patrimônios da humanidade entre 2010 e 2011, entre eles a Mona Lisa, no qual vão ao Museu do Louvre e trocam a pintura original por uma réplica. Em 2012, Jackson Curtis (John Cusack) é um pai divorciado separado de seus filhos que trabalha como motorista de limusine e escritor em Los Angeles. Sua ex-mulher Kate Curtis (Amanda Peet) e as crianças convivem com seu novo namorado, Gordon (Thomas McCarthy). Jackson começa a pesquisar sobre o fim do mundo e passa a acreditar sobre o fim do mundo ser em 2012.
Quando finalmente chega a data prevista para o apocalipse, 21 de Dezembro de 2012, grandes catástrofes em várias partes do mundo começam a acontecer, inclusive a destruição da cidade do Rio de Janeiro e a interrupção dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres devido a desastres extremos. Os governos dos demais países percebem os acontecimentos e começam a contruir arcas e barcos e estacioná-los em pontos altos do planeta, como os Himalaias, para salvar a humanidade. Jackson tenta fugir com sua ex-mulher, seus filhos e o namorado de sua ex-mulher, indo desesperadamente ao Aeroporto de Santa Mônica, para pegar um jato e partir para a China, o que não seria possível e eles precisariam de um avião bem mais potente. Mas ele percebe que somente pessoas muito ricas seriam capazes de salvar-se. Ele pediu para um bilionário russo, Yuri Karpov (Zlatko Buric) para entrar em seu avião, mas sem sucesso.
No meio de uma confusão quase na partida do avião para a China, o piloto precisava de um co-piloto, então Gordon sede suas habilidades para poder se salvar e a família consegue partir. No meio da viagem, o piloto pretendia pousar no Havaí para abastecer o avião, mas a ilha foi completamente devastada. Quando finalmente chega na China, a família tem dificuldades e entrar nas arcas devido a necessidade de pagar para isso. O dono do avião consegue entrar, mas a família é expulsa. Depois de muito tempo tentando encontrar outra arca, Kate arrisca sua vida para salvar a de seus filhos, mas depois de muito implorar, a família toda acaba entrando na arca.
Mesmo depois de conseguirem entrar, eles sofrem diversos problemas por estarem clandestinamente, e durante uma confusão, Gordon acaba morrendo por não confiar em Jackson, que estava quase salvando sua vida. Minutos antes de partir, a arca abre as passagens para as milhares de pessoas fora das condições, também para o dono do avião, que acabou também morrendo pela vida de seus filhos. Contudo a arca finalmente parte e recebe diversas informações de eventos catástroficos em diversas partes do mundo, que destroem Tóquio e inunda a costa leste da Índia. Mas como as arcas foram feitas para suportar grandes desastres, os tripulantes sobrevivem.
Depois das catástrofes acabarem em 2013, o calendário gregoriano é extinto e a humanidade passa a ultilizar um novo calendário recomeçando do ano 0001. No dia 27/01/01, as arcas finalmente voltam para a terra, desembracando no Cabo da Boa Esperança. A população convive em mais harmonia e a África inteira se elevou devido as enchentes, e a cordilheira de Drakensberg torna-se a mais alta do mundo, superando os Himalaias.
O filme promete ser uma das maiores bilheterias no cinema desde "Independence Day". Segundo especialistas, o "cinema catástrofe" "2012" deve atrair mais público do que "Lua Nova", o longa mais esperado do segundo semestre, "Os Fantasmas de Scrooge", aposta de Natal da Disney, e até o revolucionário Avatar.
Quem já conferiu o trailer de "2012" certamente ficou impressionado com a quantidade de catástrofes projetadas em apenas um minuto e meio de exibição. Por mais preconceituoso que as pessoas sejam com o gênero, certamente o vídeo despertará alguma curiosidade.
O filme arrecadou US$ 225 milhões no mundo em seu primeiro final de semana. Só nos Estados Unidos e Canadá o filme gerou US$ 65 milhões, no teto da previsão da indústria, que via entre US$ 55 e US$ 65 milhões. Os US$ 160 milhões restantes vieram de 105 países diferentes.
A Columbia, unidade da Sony, disse que "2012" marcou a melhor abertura da história para um filme original sem franquia e que não é baseado em uma marca ou em livros.
Nos Estados Unidos, a "campanha 2012" foi com força total. Comerciais de 30 segundos exibidos em intervalos de programas de sucesso, como os seriados da alta temporada, entre eles "Gossip Girl", "Ugly Betty", "Desperate Housewives", "Smallville" e "The Vampire Diaries", que atingem o público de 18 a 25 anos, normalmente os que se interessam por esse tipo de produção.No brasil, o trailer do filme "2012" está em exibição nos comerciais da MTV.
Com isso, 2009 será o ano que terá mais blockbusters estreando entre novembro e dezembro, uma época considerada ruim para grandes produções devido ao inverno americano e aos feriados de Natal e Ano Novo.
Depois de conseguir mais de US$ 65 milhões em apenas três dias nos Estados Unidos, o filme-catástrofe 2012, de Roland Emmerich, também fez bonito no Brasil. Segundo informações do site Filme B, o longa reuniu 950 mil espectadores e arrecadou R$ 9,3 milhões por aqui.
Essa é a terceira maior abertura do ano, perdendo apenas para A Era do Gelo 3 e o Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Considerando que ele não é a sequência de uma franquia de sucesso, o filme já é o mais bem-sucedido de 2009.
No Brasil, 2012 é exibido em 550 salas. Esse número deve aumentar na próxima sexta-feira, já que alguns exibidores adquiriram mais cópias para atender a demanda.
Entre sábado e domingo, a reportagem do Terra notificou que era quase impossível comprar um ingresso para o filme - chegando de uma a duas horas com antecedência - nas principais salas de cinema da cidade de São Paulo.
A arrecadação recorde de 2012, que conseguiu alcançar US$ 225 milhões mundialmente, fez a Sony conseguir alcançar a marca de US$ 1,63 bilhão em bilheteria somente este ano, o maior recorde desde a criação da empresa.
Além de 2012, outro filme que estreou no final do segundo semestre ajudou a Sony a conseguir êxito: foi This is It, documentário que narra os últimos dias de Michael Jackson, com arrecadação de US$ 155,2 milhões.
A empresa número um em arrecadação este ano foi a Fox, com uma marca de US$ 1,73 bilhão até o momento - número que deve aumentar consideravelmente com a estreia de Avatar, de James Cameron, em dezembro.
Roland Emmerich deve estar dando pulos de alegria. Apesar das críticas negativas de 2012, o filme fez uma verdadeira destruição em massa, arrecadando impressionantes US$ 225 milhões pelo mundo. Isso faz dele a quinta melhor abertura de um longa-metragem de todos os tempos. Se for considerar que ele não é uma sequência, isso o coloca no primeiro lugar do ranking.
Nos Estados Unidos, 2012 - um thriller apocalíptico cujo roteiro é baseado na suposta profecia maia do fim do mundo - conseguiu US$ 65 milhões.
No Brasil, embora os dados consolidados ainda não tenham saído, provavelmente o filme superou as espectativas. Entre sábado e domingo, a reportagem tentou assistir 2012 quatro vezes em diferentes cinemas da cidade de Sâo Paulo, todos com sessões lotadas.
Fonte: Terra
Dennis Overbye
Tradução: Paulo Migliacci ME